Quase dez anos após a saga do Time de Guerreiros, Mário e Tenório disputam a presidência do Fluminense de lados opostos

Duas forças políticas com trajetória de encontros e desencontros, que ajudam a contar a história recente do Fluminense

No dia 8 de junho, os eleitores do Fluminense Football Club elegerão o novo presidente da mais gloriosa agremiação esportiva do continente, única detentora da Taça Olímpica entre todas as organizações voltadas para a prática do futebol. Mais que um clube de futebol, o Fluminense se confunde com a história do esporte brasileiro e mundial.Entre muitas conquistas em diversas modalidades, o Fluminense é o maior campeão sul-americano de voleibol feminino, conquista repetida seis vezes.

Assim como está marcado na história da Seleção Brasileira, praticamente gerada no campo da Rua Álvaro Chaves, onde disputou, em 1914, sua primeira partida, vindo a conquistar seu primeiro título internacional em 1919 já no estádio das Laranjeiras, hoje Manoel Schwartz, o Fluminense trouxe para o Brasil sua primeira medalha olímpica em 1920, em Antuérpia, com Afrânio Antônio da Costa, no Tiro Esportivo.

É essa tradição de grandeza que estará em jogo no dia 8 de junho. Com déficit organizacional e uma dívida líquida beirando os R$ 600 milhões, o Fluminense luta, antes de qualquer coisa, para sobreviver, mas sem perder de vista sua vocação para a glória. Ricardo Tenório, pela chapa Libertadores, e “Mário Bittencourt”, pela “Tantas Vezes Campeão”, são os nomes que estarão postos para a sucessão de Pedro Abad.

Nascimento do Triunvirato e a saga do Time de Guerreiros

O “Triunvirato”, como foi chamada a união de Mário Bittencourt, Celso Barros e Ricardo Tenório, desfeita no princípio de abril, quando Tenório deixou o grupo para lançar a própria candidatura, contra Mário, começou bem antes da atual disputa, há quase dez anos.

O Fluminense vivia um momento dramático de sua história.Celso Barros, então presidente do Unimed, patrocinadora do clube, vivia permanente queda de braço como então presidente do clube, Roberto Horcades. O alvo da disputa era o comando do futebol do clube, que levou o Fluminense à lanterna do Campeonato Brasileiro. Celso Barros, com a ajuda de Peter Siemsen, então futuro presidente do clube, manobrou politicamente para tirar o pode de Horcades.

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Na ocasião, Ricardo Tenório e Mário Bittencourt, desconhecidos da cena política tricolor, assumiram, respectivamente, a vice presidência de futebol e a direção técnica do que viria a se transformar, sob o comando de Cuca, no lendário Time de Guerreiros, que escapou do rebaixamento e não conquistou por muito pouco a Copa Sul-Americana.

Parceria durou pouco

A parceria durou pouco. No começo de 2010, Ricardo Tenório se desligou da vice presidência do Fluminense e saiu acusando Celso Barros de manter uma relação de subserviência entre o clube e a Unimed. Na ocasião, a relação com Mário ficou estremecida.

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Mário e Tenório só voltariam a se aproximar politicamente em 2016, quando concorreram na mesma chapa pela presidência do clube, derrotados, na ocasião, por Pedro Abad. Em 2010, Tenório se tornou um dos principais articuladores da campanha de Júlio Bueno, derrotado por Peter Siemsen, apoiado por Celso Barros e Mário Bittencourt.

Mário e o Lusagate

Em 2013, Mário Bittencourt voltaria aos holofotes por ocasião do episódio que ficou conhecido como Lusagate. Na ocasião, o Fluminense obteve a permanência na Série A na última rodada do Campeonato Brasileiro ao vencer o Bahia na Fonte Nova por 2 a 1. Como Flamengo e Portuguesa escalaram jogadores irregulares na última rodada, o Flu terminou a competição na 15ª posição, salvando-se o Flamengo do rebaixamento graças à escalação irregular de Everton, da Portuguesa.

Na ocasião, a mídia esportiva criou uma associação fantasiosa entre a queda da Portuguesa e a permanência do Fluminense na Série A. O caso foi a julgamento no STJD e tanto Flamengo quanto Portuguesa perderam por unanimidade, em duas instâncias, ficando sem três pontos, mais o obtido na rodada final do Brasileirão.

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Na ocasião, Mário Bittencourt representou o Fluminense no julgamento como terceiro interessado e ganhou grande notoriedade devido à desenvoltura como defendeu os interesses do clube. Os adversário políticos acusaram-no, todavia de usar o episódio para se promover politicamente.

Segundo mandato de Peter Siemsen

O ano de 2013 foi marcado pela queda de braço entre Peter Siemsen, então presidente, e Celso Barros. Mesmo assim, Celso apoiou a reeleição de Siemsen contra Deley. Reeleito, Siemsen convidou Ricardo Tenório para ser seu vice-presidente de futebol. Ainda sob o comando de Tenório, o futebol trouxe Dario Conca de volta, mas também a contratação polêmica de Walter.

A segunda passagem de Tenório como vice presidente de futebol durou pouco. O segundo mandato de Peter começou com o pé esquerdo e logo veio o desentendimento. Tenório deixou o cargo para dar lugar a Mário Bittencourt, que ficaria dois anos à frente da pasta futebolística, se ausentando da cena política até a eleição de 2016.

O ano de 2014 foi marcado pelo surgimento da “Alemanha Brasileira”, equipe comandada por Cristóvão Borges, que contava com grande elenco, último da era Unimed. A política acabou inviabilizando uma grande equipe de futebol, que protagonizou o terrível episódio da derrota por 5 a 2 para o América RN, de virada, no Maracanã, eliminando o Fluminense da Copa do Brasil.

Parceria que durou pouco

O que veio a seguir, foi o fim da parceria com a Unimed, cabendo a Mário a decisão de manter Cristóvão para reconstruir um elenco esfacelado em 2015. A trajetória do Fluminense se tornou errante, desde então, com grande rodízio de jogadores no elenco, endividamento e brigas contra o rebaixamento. Em abril de 2016, Peter Siemsen demitia Mário Bittencourt, até então o seu projeto de sucessor para aquele ano, com apoio da Flusócio.

Mário concorreria com Ricardo Tenório como vice naquele ano. Celso Barros lançou candidatura solo, ficando com o terceiro lugar na disputa. A aproximação dos três players da política tricolor veio após a derrota, mas com os dias contados. No início de abril desse ano, Tenório deixou o projeto alegando que não seria possível implantar suas ideias de governança e transparência com os então parceiros.

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Marcelo Savioli às 15:24

2019-06-01T10:44:57+00:00 maio 31st, 2019|

Um Comentário

  1. Paulo Gustavo
    Nelson Pereira Ribeiro 31 de maio de 2019 em 17:33- Responder

    Eu. como tricolor há mais de 80 anos, apoio o Tenório porque ele tem o respaldo do Ayrton Xerez

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