MARCELO SAVIOLI – Em busca da imposição física

Não adianta a gente analisar com preconceitos. É preciso tentar entender o que pensa o treinador e os resultados desse pensamento

Foto: Lucas Merçon ( Fluminense Football Club )
Amigos, amigas, assistindo à partida de ontem no Morumbi percebi que a busca de Marcelo Oliveira é essencialmente por imposição física.
Senão, vejamos, Marcelo Oliveira deixou no Rio Danielzinho, jogador de inegável qualidade técnica, e, ao precisar substituir Sornoza e Jadson, optou por Júnior Dutra e Luciano, dois atletas que se enquadram no biotipo do grandalhão bom de trombada e de carregar a bola na base da saúde.
Foi com essas soluções que tentamos pressionar o São Paulo, com um homem a mais em campo, quando o jogo encontrava-se empatado, graças à nossa perda gradativa de qualidade na transição e na posse de bola, aliada à já conhecida incapacidade ofensiva.
O curioso é que, apesar de termos conseguido, na marra, o controle da intermediária, nossa única chance expressiva de gol saiu de uma jogada de cinema de Richard e uma bola na trave de Matheus Alessandro, que – pasmem! – entrou na área para finalizar e não marcou por pura falta de sorte.
Aliás, a contrariar a disposição geral, nossa outra grande jogada, no primeiro tempo, surgiu de uma troca de passes não menos cinematográfica, que começou no campo de defesa, com ações rápidas envolvendo, se não me falha a memória, Ibañez, Ayrton Lucas, Sornoza e Everaldo, que terminou em arremate de Jadson, que mandou a bola no travessão.
Não adianta a gente analisar com preconceitos. É preciso tentar entender o que pensa o treinador e os resultados desse pensamento. O Fluminense, com os três volantes de Marcelo Oliveira, é um time pouco vulnerável defensivamente e que compete bastante no meio de campo. Em compensação, cria pouco, no que se assemelha ao time do São Paulo, que é líder do campeonato. A questão toda é que não temos soluções ofensivas, exceto a clássica jogada pelo lado esquerdo.
Foram dois gols em dois jogos, ambos marcados pelos defensores adversários. Isso é preocupante, porque mostra nossa incapacidade de criar. Por outro lado, vemos um Fluminense capaz de jogar de igual para igual com as potestades do campeonato. Dois empates com o São Paulo, ganhamos do Palmeiras, uma vitória e um empate contra Corinthians e Cruzeiro, um empate com o Grêmio dentro do estádio deles, tudo isso em jogos que andaram entre o equilíbrio e a ligeira vantagem para um dos lados.
É engraçado que a exibição de Richard ontem mostrou algo muito curioso sobre esse atual Fluminense. Em alguns momentos, parece ser muito pior do que é, às vezes, no entanto, essa condição se inverte, mas essa é uma análise controversa, porque ninguém sabe muito ao certo o que o Fluminense é. Sendo que o Fluminense só é ou está algo se contextualizado, ou seja, se comparado com os outros, o que torna a análise ainda mais improvável.
Por que improvável?
Porque nós temos um time no Brasil que joga um futebol de altíssimo nível se confrontado dentro dos padrões internacionais, que é o Grêmio. Temos Flamengo e Palmeiras com elencos e momentos na temporada de excelente nível, Inter e São Paulo com propostas táticas bem definidas e peças muito bem encaixadas, ao contrário do Fluminense, que, mesmo com Pedro, já não tinha boas soluções ofensivas, exceto a presença do próprio Pedro em campo, o que é muito pouco.
Percebam como é reativo o futebol do Internacional, que sequer tem uma saída de bola confiável, mas seus atacantes são talentosos, goleadores e tudo isso sem perder a variável força.
Parece que Oliveira olha com muito carinho para São Paulo e Internacional, mas talvez devesse olhar mais para Grêmio e Cruzeiro, que conseguem ter imposição física no jogo sem precisar abrir mão de jogar futebol. Aliás, para Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo. Tirando o Cruzeiro, todos os demais estão na briga pelo título. Mesmo fora da briga pelo Brasileiro, o Cruzeiro está nas quartas da Libertadores e nas semifinais da Copa do Brasil.
Percebema as amigas, os amigos, que eu estou tentando fazer esse balanço entre o que possivelmente pensa o nosso treinador e a realidade. Mas tem outro valor a entrar nessa análise que é o elenco do Fluminense. Eu vejo uma admiração louca por Júnior Dutra, Luciano e Kayke, que, juntos, ainda não deram um Pablo Dyego de contribuição à equipe. Ao contrário, vejo Matheus Alessandro e Everaldo contribuindo muito mais para a equipe, mas disputando a mesma posição. Já que a gente gosta tanto de um ponteiro marcando subida dos laterais adversários, por que não um de cada lado, fechando no 4-5-1 defensivo, mas vamos tentar entender, também, por que o Kayke tem tanto prestígio para estar numa posição em que o Pablo Dyego se encaixaria tão bem.
Só que teria que abrir mão de um volante. Será que Jadson e Dodi têm essa produção toda que ficaria tão ruim jogar no 4-2-4, com o Sornoza atuando mais próximo dos três atacantes? Eu tenho certeza que o Inter adorara poder ter um Sornoza atuando por trás dos seus frequentes três atacantes.
É onde começa o meu medo. Nós não teremos Sornoza contra Vitória e Botafogo, jogos que precisamos vencer. Tudo leva a apostar que Marcelo Oliveira vai plantar lá seus três volantes, manter o Kayke não produzindo nada e o Everaldo, que tem muita qualidade, diga-se de passagem, encostado no Ayrton Lucas para dar consistência ao único núcleo de produção criativa do Fluminense, que é aquele lado esquerdo do ataque. Se calhar, Daniel não vai nem para o banco mais uma vez, o que se configura em grave ofensa ao futebol.
Saudações Tricolores!
2019-02-27T14:13:07+00:00 setembro 3rd, 2018|

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