ESPANHOLIZAÇÃO – Cruzeiro segue modelo do Fluminense de Peter e se asfixia com dívida de curto prazo

Passivo cruzeirense já ultrapassou meio bilhão, mas clube ainda justifica temeridade com títulos

Se for possível justificar uma temeridade, o Cruzeiro o faz com títulos. Foram dois seguidos da Copa do Brasil em 2017 e 2018. O problema é que, infelizmente, os títulos não pagam a conta. O Cruzeiro segue o modelo do Fluminense de Peter Siemsen e se asfixia com uma dívida de curto prazo de R$ 256 milhões.

A diferença é clara. O Cruzeiro gasta mais do que arrecada, mas o destemor mineiro se traduz em um time altamente competitivo. O benefício do endividamento são as histórias de títulos para contar. Já Peter Siensen, enquanto à frente do Flu, só fez, desde a saída da Unimed em 2014, aumentar as dívidas, sem conseguir montar um time compeão.

O problema do Cruzeiro mostra que não existe almoço grátis. Ganhar dos protegidos da Rede Globo (Flamengo e Corinthians), requer ciência e dinheiro, muito dinheiro. Apesar do aumento de todas as receitas, o aumento do endividamento cruzeirense era previsível.  Foram R$ 136 milhões em apenas um ano. Isso, porque, segundo reportagem do Globoesporte.com, que teve acesso à versão não auditada, ainda não publicada, do balanço cruzeirense, os dirigentes mineiros recorreram à contabilidade criativa, lançando em 2018 os R$ 55 milhões da venda de Arrascaeta ao Flamengo, que só aconteceu em 2019.

Crise financeira e espanholização

A situação do Cruzeiro é a mesma do Fluminense, pelo menos fora de campo. O clube busca R$ 300 milhões no mercado financeiro para refinanciar a asfixiante dívida de curto prazo. É o mesmo caminho buscado pelo Fluminense, mas isso coloca esses clubes diante de um grande dilema. Equacionar a dívida de curto prazo e continuar gerando prejuízos seria cavar a própria morte, e isso não é uma metáfora.

Ao contrário do Cruzeiro, o Fluminense já pegou a contramão e caminha para reduzir a dívida, com custos e receitas operacionais equilibrados. Em compensação, o Tricolor trabalha com uma visão de investimentos modestos. O Cruzeiro parece não querer parar. Tem um time recheado de peças valiosas e faz a melhor temporada entre todos os clubes do país. O problema é o preço a ser pago por isso.

O Cruzeiro sabe que gastar mais do que tem é a única forma de enfrentar os efeitos da espanholização do futebol brasileiro promovida pelas Organizações Globo, que tem na Crefisa, patrocinadora do Palmeiras, sua maior opositora. No entanto, a estratégia cruzeirense parece ser morrer lutando. Ou, em algum momento, terá que abandonar o caminho do Fluminense de Peter e seguir o do  Fluminense de Pedro Abad.

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Por: Marcelo Savioli às 16:19
Foto: Presidente Wagner Pires de Sá, do Cruzeiro

 

 

2019-04-16T19:23:44+00:00 abril 16th, 2019|

Um Comentário

  1. Paulo Gustavo
    Carlos 22 de abril de 2019 em 17:17- Responder

    A verdade é uma, é melhor os Clubes virarem empresas e separar do Clube, pois o Futebol evoluiu mt e estamos atrasados. Até na questão direito de imagem.

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