Entrega ou não entrega? Em 1996, derrotas do Fla nas rodadas finais prejudicaram maior rival

Episódios eticamente duvidosos, envolvendo também o Atlético PR, acabaram levando o Flu ao rebaixamento, que seria, posteriormente, cancelado, após descoberta de escândalo de compra de resultados no futebol brasileiro

O Flamengo enfrenta o Vasco daqui a pouco no Maracanã. Os dois clubes têm na mão a chance de eliminar o maior rival. Basta o Vasco vencer e o Flamengo perder, o que concilia os interesses. Resta saber se o Flamengo vai concordar em sujar sua reputação perdendo para prejudicar o Fluminense, que será, em caso de vitória rubro-negra, seu adversário na semifinal do Estadual. Com uma derrota, o Flamengo elimina o Flu da competição e enfrenta o Bangu na semifinal, enquanto o Vasco vai direto para a decisão.

Em 1996, época em que não havia internet e era mais fácil iludir a opinião pública, o Flamengo não se importou muito com questões éticas. Na quarta-feira anterior à última rodada do Campeonato Brasileiro, já perdera para o fraco Criciúma, em Santa Catarina, por 2 a 0. O Criciúma disputava com Bahia e Fluminense para definir quem seria o segundo rebaixado, já que a queda do Bragantino já estava encaminhada.

Entregou ou não entregou?

Joel Santana mandou a campo um time repleto de reservas contra o Bahia. Durante a partida, dois jogadores do Flamengo, Fabiano e Fábio Baiano, foram expulsos por entradas violentas e absolutamente desnecessárias em jogadores do Bahia. O Bahia marcou o gol da vitória aos 15 minutos da segunda etapa, convertido por Edmundo.

Mesmo tendo vencido seu compromisso contra o Vitória, o Fluminense acabou rebaixado, pois o Atlético PR, depois de estar vencendo por 1 a 0, cedeu aos apelos de sua torcida e facilitou a virada da equipe catarinense.

Posteriormente, foi descoberto o escândalo de compra de resultados, em que o próprio Atlético estava envolvido. O desfecho do caso, que terminou conhecido como “1.0.0”, foi o cancelamento do rebaixamento de Fluminense e Bragantino, mas os clubes envolvidos no escândalo, Corinthians e Atlético PR, também permaneceram na Série A.

 

Por: Marcelo Savioli às 07:38
2019-03-30T16:39:27+00:00 março 31st, 2019|

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