#Eleições2019 – O Tricolor entrevista Ricardo Tenório

O primeiro entrevistado da bateria de entrevistas do O Tricolor é o empresário Ricardo Tenório, que concorrerá pela chapa “Libertadores”. Lembrando que as mesmas perguntas foram enviadas a todos os pré-candidatos.

Tenório foi vice-presidente de futebol do Fluminense em duas ocasiões por curto período de tempo. Em 2009, esteve à frente do departamento na lendária arrancada do Time de Guerreiros. Voltou a assumir a pasta no final de 2013, no início do segundo mandato de Peter Siemsen, mas ficou pouco tempo, sendo substituído por Mário Bittencourt.

O programa de Tenório foca em aprimoramento da gestão, principalmente na área financeira, e no fortalecimento econômico do clube, por meio de uma melhor exploração de suas propriedades e ativos.

Confira a entrevista:

O Tricolor – O Fluminense possui uma das quatro maiores dívidas entre os clubes da Série A e um passivo de curto prazo na ordem dos R$ 265 milhões, com um faturamento médio nos últimos quatro anos de R$ 240 milhões. Qual sua visão desse cenário, levando em conta a necessidade de equacionar essa dívida de curto prazo, reduzir a dívida total e ainda produzir resultados esportivos?

Ricardo Tenório – A dívida total está em mais de R$ 700 milhões registrada no balanço, com um passivo descoberto de quase R$ 300 milhões. Você pode ter certeza que boa parte disso tem o caráter de uma gestão temerária, feita no impulso, sem qualquer cuidado com a boa técnica financeira.

Os números, portanto, são expressivos, mais quando diante da capacidade de pagamento, que está vinculada às oportunidades de gerar receitas. E aí é o caso de se perguntar: o futebol é um bom negócio? Um time na primeira divisão do futebol brasileiro é um bom negócio? É. É rentável? É. Então, posso garantir que há uma péssima gestão do negócio futebol. Isso sabemos que não é exclusividade do Fluminense. Há, contudo, exemplo no mundo de boa gestão e no Brasil isso já começa a aparecer em alguns clubes. O torcedor é fonte essencial das receitas de um clube de futebol. Se queremos novas receitas, o começo será por aí. O Fluminense tem 5 milhões de consumidores cativos. O que tem feito a administração do Fluminense com relação a isso? Temos um exemplo recente.

No domingo, vibramos com uma vitória épica que ficará na história e fez tricolores chorarem, se abraçarem, gritarem e saírem às ruas com orgulho estampado no rosto.  O departamento de marketing agiu? Já pensou como usar os contratos de direitos de imagem que tem com os craques? Como resolver isso sem uma revisão dos procedimentos?  Não há como.

Mas existem também providências na coluna das despesas: ser milimetricamente consciente com as despesas. Vê-se no balanço, única fonte confiável disponível na caixa-preta do Fluminense, que o clube desperdiça uma fortuna com o pagamento de encargos por atrasos de pagamento. As dívidas maiores estão equacionadas em parcelamentos, as fiscais com o PROFUT e as trabalhistas, com o ATO, mas a diretoria do Fluminense não honra com as parcelas. No balanço os auditores deixaram uma dúvida complicada sobre as parcelas do PROFUT.  O custo do atraso no pagamento das dívidas fiscais ultrapassa 30%. Nas ações trabalhistas, o percentual é, às vezes, bem superior. Isso quer dizer que para cada R$ 1.000,00 de receitas novas, se deixa pelo menos R$ 300,00 para o pagamento de impostos com atraso e em alguns casos gasta-se todos os mil reais.

Tudo no Fluminense está meio amarrado na incompetência gerencial com reflexos nos resultados em campo, essência da valorização da marca. Ou se liberta o Fluminense dessas amarras ou não sairemos da situação em que nos encontramos.

 

O Tricolor – A dívida de curto prazo asfixia o fluxo de caixa e, além de inibir investimentos, obriga o clube a vender atletas para pagar despesas como salários e impostos. Qual a sua proposta para livrar o Fluminense desse problema?

Ricardo Tenório – A dívida de curto prazo asfixia o fluxo de caixa? Não seria melhor trabalhar com a questão invertida? A ausência de receitas no curto prazo desalinha o fluxo de caixa? Não há o que inventar nem no Fluminense, nem em empreendimento algum: se paga dívida com geração de novos negócios e gestão correta e eficiente dos negócios que já se tem. É o que se tem para fazer.

 

O Tricolor – O faturamento do Fluminense está muito atrás dos atuais principais players econômicos. Qual sua proposta para aumentar as receitas do clube e torná-lo economicamente competitivo com clubes como Flamengo e Palmeiras?

Ricardo Tenório – Estamos comparando talheres com bananas. O Flamengo tem vantagem comparativa com um modelo que não tenho medo de chamar de desonesto no uso do direito de transmissão. O Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e outros campeonatos são exibidos com exclusividade pela Globo, que impõe uma regra desigual com base em número de torcedores e não em resultados em campo. O Palmeiras está com um modelo de patrocínio que o Fluminense teve com a UNIMED. Quando perder, como perdemos, terá o nosso destino se não tomar os cuidados que não tomamos. Então, feitas as ponderações, voltemos ao Fluminense. Somos um clube formador de jogadores e isso tem produzido boas receitas nas transferências, mas também pela atuação no elenco principal. Como usar a exposição da marca de modo melhor? E que providências podemos adotar para fugir das amarras da Globo, num modelo de comunicação moderno? A turma mais jovem está abolindo a TV e indo para as redes sociais para assistir jogos e interagir. Não é hora de pensar nisso?

 

O Tricolor – A distribuição desigual de cotas de televisão vem ampliando, a cada ano, o desequilíbrio entre os clubes, o que, fatalmente, se nada for feito, levará o Fluminense à condição de mero coadjuvante no cenário nacional. Qual o seu plano para combater esse grave problema?

Ricardo Tenório – Adaptar o modelo com a inclusão de um sistema de transmissão dos jogos que seja mais conveniente ao Fluminense. E jamais seremos coadjuvantes no cenário mundial. Nunca fomos e o modelo é o mesmo do aplicado nos campeonatos em que fomos campeões. O desempenho do time em campo depende, sim, de dinheiro, mas muito mais de administração inteligente e aproveitamento melhor de uma marca que tem 5 milhões de consumidores fidelizados. 

 

O Tricolor – Revitalização do estádio das Laranjeiras, controle do Maracanã e projeto de construção de um novo estádio. São alternativas que estão sobre a mesa. Qual o seu plano com relação a arena(s), levando em conta os aspectos econômicos, financeiros e esportivos decorrentes de sua decisão como presidente?

Ricardo Tenório – Fala-se desses projetos como se eles não fossem rentáveis e não pudessem, pelas receitas que produzirão, dar retorno dos investimentos realizados. Os projetos devem ser construídos com esse olhar. A revitalização de Laranjeiras é uma atitude de respeito com a história e com os investidores que colocaram sua paixão pelo Fluminense lá em forma de investimento. O novo estádio será a prova do amadurecimento do Fluminense e quem deve decidir onde e como será deve ser o torcedor. Minha função será apresentar com os cálculos corretos as alternativas. Quanto ao Maracanã, há necessidade de restabelecer as condições, porque o Fluminense entrou à reboque do Flamengo. Isso nos apequena. Afinal de contas, ou se estabelece uma relação comercial no mesmo nível ou não se terá relação comercial possível. Pretendo, sim, rever. 

 

O Tricolor – Fala-se muito em profissionalização da gestão do clube há anos, mas pouco se tem avançado nisso nas últimas gestões, inclusive com alguns retrocessos. Qual a sua visão? O que vai ser feito no seu mandato para o Fluminense ter uma gestão totalmente profissional?

Ricardo Tenório – Para fazer basta ter a vontade de fazer, mas com a consciência exata do que é profissionalizar. Muita gente acha que profissionalizar uma gestão é, simplesmente, ter profissionais remunerados para cuidar das funções essenciais do Fluminense. Eu não entendo assim. Há que remunerar profissionais, porque a dedicação integral é essencial e a responsabilidade com os resultados do trabalho mais essencial ainda. Os voluntários, neles eu me incluo, terão papel fundamental na gestão, mas também com o critério rigoroso da avaliação do resultados das decisões que tomaremos. Isso é profissionalizar no meu entendimento.

 

O Tricolor – Como serão tratados os esportes olímpicos e o clube social em sua gestão?

Ricardo Tenório –  Como unidades de negócios capazes de gerar receitas e produzir resultados positivos na imagem do Fluminense. Dou como exemplo atletas de excelente desempenho que começaram a vida no Fluminense e ganharam mundo, porque o Fluminense não lhes deu atenção ou não conseguiu ver neles um resultado interessante para a imagem. O Clube Social está localizado numa região em que os prédios não têm área de lazer e quando têm não são de excelência. O Fluminense pode ser esse espaço. A estrutura é magnífica. Temos debaixo do nosso nariz fonte importantes de receita e valorização da marca e não percebemos isso.

 

O Tricolor – Falou-se muito em integração conceitual do futebol tricolor na última eleição, adotando-se a mesma metodologia de trabalho e modelo de jogo para a base e o profissional. Parece que isso não vingou. Acontecerá no seu mandato ou sua candidatura tem uma visão diferente?

Ricardo Tenório – Não lhe parece um equívoco, adotar para a preparação dos jogadores da base a metodologia de trabalho do profissional? Isso deve acontecer quando o jogador já está no tempo de migrar, não? A metodologia precisa ser a de formação. Para se formar bem um jogador deve-se ter cuidados adicionais aos treinos: preparação emocional, física, intelectual. É como vejo o futebol de base.

 

O Tricolor – Qual a sua visão de Fluminense ao final de seu mandato? Numa visão realista, como você pretende entregar o clube ao seu sucessor?

Ricardo Tenório – Um time que tenha resgatado a capacidade de investir e gerenciar bem as unidades de negócios. Tenho no meu horizonte a Libertadores. Puxa! Será uma enorme alegria.

 

O Tricolor – Vender o Pedro ou tentar abocanhar as premiações com títulos e boas colocações nas três competições que restam ao Fluminense? Com ou sem Diniz?

Ricardo Tenório – Por que o “ou”? Pode existir alternativa, não? Com ou sem Diniz? De preferência, com, mas, volto à questão da profissionalização: avaliação do desempenho será uma constante na gestão do Fluminense se eu for eleito. Com avaliações rotineiras de técnicos, jogadores, comissão técnica e equipe de direção será possível antecipar decisões antes que elas sejam inevitáveis e urgentes. Quando se toma decisões na pressão, normalmente, se toma decisões com muito risco de erro.

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Marcelo Savioli às 06:14
2019-05-21T09:53:43+00:00 maio 21st, 2019|

3 Comentários

  1. Paulo Gustavo
    Bené 20 de maio de 2019 em 18:53- Responder

    Gostei da entrevista, mas acho que faltou mais detalhamento nas respostas. Tenório me parece um cara de bem, mas faltou mostrar mais quais são suas propostas. Minha humilde opinião.

    Saudações Tricolores

  2. Paulo Gustavo
    Luciano Oliva 20 de maio de 2019 em 18:54- Responder

    Acho o melhor candidato.

  3. Paulo Gustavo
    Gustavo 22 de maio de 2019 em 09:06- Responder

    Luciano. Concordo contigo. É o único que prega a união pelo clube. Não confio na chapa da maioria. creio que Bittencourt tem tudo para ser um novo Abad.

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