ELEIÇÃO 2019 – Conheça os desafios do próximo presidente do Fluminense

Novo mandatário do segundo cargo mais importante da República assumirá o clube por três anos e meio

A eleição para presidente do Fluminense foi antecipada de novembro para o dia 8 de junho. Sendo assim, o próximo mandatário do segundo cargo mais importante da República, fará uma gestão de três anos e meio. O torcedor vai conhecer agora quais serão os desafios que o futuro presidente terá que enfrentar em momento crítico para a história do Fluminense.

Até o presente momento, nenhum candidato apresentou oficialmente sua candidatura, embora alguns nomes estejam escritos no horizonte. O mais provável é o engenheiro Ayrton Alvarenga Xerêz. Outros nomes surgem no horizonte, como Ricardo Tenório, Diogo Bueno, Mário Bittencourt e Celso Barros. Preferido de parte da torcida do Fluminense, Pedro Antônio Ribeiro da Silva, responsável pela construção do CT profissional, tem afirmado que não será candidato, mas é uma peça que não deve ser descartada.

Seja quem for que assuma o posto de presidente do Maior Clube do Brasil, os desafios a serem enfrentados são gigantescos. A próxima gestão do Fluminense será responsável por colocar o clube de volta nos trilhos ou mais um culpado por relegar ao ostracismo uma das mais importantes instituições esportivas do mundo, único clube de futebol do planeta a ostentar a Taça Olímpica, maior condecoração do esporte mundial.

 

Finanças

A questão financeira é explosiva. O balanço anual do clube não foi publicado, mas o que se verá é uma dívida na casa dos R$ 600 milhões, uma das cinco maiores do Brasil. O problema maior, no entanto, é o passivo de curto prazo, que comprime o fluxo de caixa. O clube terá que pagar, só em 2019, mais de R$ 200 milhões, algo inconcebível para que deve ter uma faturamento na faixa dos 200 a 250 milhões, exceto faça uma venda extraordinária de atletas e conquiste a milionária Copa do Brasil, o que elevaria o patamar de faturamento na temporada.

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Desde o início da gestão Abad, algumas iniciativas foram ensaiadas para a obtenção de um aporte financeiro superior a R$ 200 milhões junto a um fundo de investimento. É a única solução viável financeira e esportivamente, pois tiraria das costas da futura gestão o peso de ter que negociar jogadores, com baixo poder de barganha, para descomprimir o fluxo de caixa.

Não sendo assim, o Fluminense continuará a ser fornecedor de recursos humanos baratos para outros clubes, inclusive do futebol brasileiro, como já vem acontecendo em relação a Palmeiras, Corinthians e Flamengo. Sem contar que o clube precisa urgentemente reverter a tendência de crescimento da dívida, o que comprometeria irreversivelmente o futuro da instituição.

 

Economia

Economicamente, o Fluminense vem se distanciando dos principais rivais. A previsão para 2019 é de um faturamento pouco superior a R$ 200 milhões, que pode ser elevado por receitas extraordinárias, como transferências e premiações. Clubes como Palmeiras e Flamengo podem chegar ao patamar de R$ 500 milhões.

 

Um dos desafios do clube é fazer o negócio Maracanã dar lucro. Além disso, o clube pode e precisa melhor suas receitas com patrocínio, embora isso implique na necessidade de uma reestruturação drástica em todos os aspectos, da administração ao marketing. O desafio da próxima gestão será multiplicar receitas, sendo a revitalização do estádio das Laranjeiras uma opção bastante razoável, haja vista o custo de aproximadamente R$ 70 milhões do projeto, que contaria com aporte financeiro de parceiros econômicos.

Além disso, o futuro presidente terá o desafio de se articular politicamente para demolir o projeto de espanholização idealizado pela Globo, que promove o desequilíbrio econômico entre os clubes para favorecer Corinthians e Flamengo, sendo que o Palmeiras deve conseguir se equiparas aos favoritos do grupo de comunicação.

 

Marketing

A gestão Abad, que até começou bem nesse quesito, vem sendo um verdadeiro cemitério na área de marketing. O posicionamento construído pelo clube, “Nós somos a História”, foi abandonado. Os produtos do clube são mal promovidos, inclusive o futebol.

A próxima gestão terá o desafio de estruturar um departamento de marketing que seja gerador de engajamento da torcida e receitas. Ainda que a comunicação funcione razoavelmente, com ênfase nas redes sociais, a estratégia institucional é falha e o marketing estratégico inexiste.

 

Futebol

A gestão Abad deve deixar para seu sucessor um bom elenco, comandado pelo técnico mais arrojado do Brasil, além de ser um dos mais competentes. Apesar disso, será preciso aprimorar os métodos de gestão global do futebol, começando pelas categorias de base, que vêm perdendo o diferencial competitivo adquirido nos últimos anos.

O Fluminense não pode viver sem títulos. A conquista do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil ou da Copa Sul-Americana precisa ser encarada como prioridade já em 2019. O clube não conquista um título importante desde 2012. Para um clube do tamanho do Fluminense, sete anos são uma eternidade.

Para que o clube não seja obrigado a se desfazer de seu elenco na janela europeia do meio do ano, será preciso que o clube dê um salto econômico e consiga se ajustar financeiramente.

 

Gestão

A gestão Abad começou de forma promissora nesse quesito, porém, após dois anos e quatro meses, praticamente nada apresentou. O produto do trabalho de consultoria da Ernst & Young não saiu do papel. A reformulação do estatuto para reestruturar processos e profissionalizar o clube não andou.

O desafio do próximo presidente  será profissionalizar a gestão e fazer o Fluminense pensar como uma empresa, com administração profissional e políticas efetivas de governança e transparência, outro aspecto falho da gestão Abad.

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A mudança radical prometida pela Flusócio, grupo que esteve no comando do clube nos últimos oito anos, não passou de iniciativas tímidas, com passos de formiga e um segundo mandato desastroso de Peter Siemsen.

 

Esportes Olímpicos

Como o clube caminha para uma visão estrutural baseada em unidades de negócio, os esportes olímpicos precisam ser sustentáveis. O desafio da próxima gestão será usar a força histórica da instituição, a mais importante do país na prática competitiva dos esportes olímpicos, para atrair investimentos e conferir competitividade às suas equipes.

Atualmente, o Fluminense tem se destacado em poucas modalidades. Onze vezes campeão do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais, o clube ficou com a segunda colocação esse ano. A hegemonia no Polo Aquático foi perdida nos últimos anos e o time de vôlei feminino, modalidade em que o Flu é o maior colecionador de títulos da América do Sul, vem obtendo resultados modestos na Superliga.

 

Conclusão

O Fluminense precisa, acima de tudo, se modernizar, pisar com os dois pés no século XXI. O clube precisa atrair investidores e receitas, tanto para obter o equilíbrio financeiro, quanto para obter competitividade nos terrenos econômicos e esportivos, que são interdependentes.

No dia 8 de junho, os eleitores terão a missão de não errar e escolher um projeto que esteja à altura dos desafios que o clube vai enfrentar nos próximos anos. Serão menos de dois meses de campanha e debates, mas eles precisam ser intensos e esclarecedores.

A mídia tricolor terá papel primordial, no sentido de levar informação de qualidade e responsável, engajada unicamente com os interesses do clube. A visão política reinante precisa progredir da abordagem paroquial para um novo estilo, em que as picuinhas políticas e interesses subalternos sejam substituídos pela visão empresarial e vencedora que caracterizou a história do Maior Clube do Brasil desde a sua fundação no longínquo ano de 1902.

O que não pode ficar distante é a vocação vencedora do Fluminense das ações daqueles que o dirigem e mesmo daqueles que fazem oposição. O dia 8 de junho precisa ser histórico e um grande marco zero de uma nova e vencedora visão do Fluminense Football Club.

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Por: Marcelo Savioli
2019-04-22T12:00:28+00:00 abril 21st, 2019|

2 Comentários

  1. Paulo Gustavo
    RALPH DE SOUZA FILHO 21 de abril de 2019 em 08:46- Responder

    BOM SENSO, EQUILÍBRIO EMOCIONAL MAS NEM TANTO TECNOCRÁTICO A ABAFAR E A SUFOCAR A SENSAÇÃO DE PERTENCIMENTO À EMOÇÃO INTRÍNSECA EXERCIDA PELO LONGO APRENDIZADO JUNTO Á AGREMIAÇÃO DE ÁLVARO CHAVES E DE SUA GLORIOSA HISTÓRIA A QUAL CLAMA SÚPLICA POR RETORNAR A TRILHOS A CONDUZIREM – NA AO PÓDIUM ENTRE OS MELHORES… ERROS COMO ESSE ESCORREGADIO, DÚBIO E NEBULOSO SAMORIN E OUTRAS NEGOCIAÇÕES SOB O PANO DEVAM SOFRER AUDITORIAS RIGOROSAS E A TODOS OS RESPONSÁVEIS PUNIÇÃO A NÃO ALIMENTARMOS COM A VISTA GROSSA COMPLACENTE A MÃE DE TODAS AS NOSSAS AGRURAS PERVERSAS IMPUNIDADE DA LENIENTE E CÚMPLICE TOLERÂNCIA A MOLDAR A BÔCA TORTA DO CACHIMBO…

  2. Paulo Gustavo
    Vera Cândido 21 de abril de 2019 em 09:51- Responder

    Que assim seja!

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