#Eleições 2019 – O Tricolor entrevista Marcelo Souto

Preferimos prometer somente aquilo que podemos cumprir. Honrar o financeiro e focar no futebol

O entrevistado de hoje é o advogado Marcelo Souto, de 33 anos, do Grupo Esperança Tricolor. Conselheiro do clube, Souto é econômico nas promessas e realista no diagnóstico da realidade tricolor.

O O Tricolor enviou as mesmas perguntas para todos os candidatos. Já publicamos a entrevista de Ricardo Tenório   e aguardamos a resposta do candidato Mário Bittencourt.

O Tricolor – O Fluminense possui uma das quatro maiores dívidas entre os clubes da Série A e um passivo de curto prazo na ordem dos R$ 265 milhões, com um faturamento médio nos últimos quatro anos de R$ 240 milhões. Qual sua visão desse cenário, levando em conta a necessidade de equacionar essa dívida de curto prazo, reduzir a dívida total e ainda produzir resultados esportivos?

Marcelo Souto – É um cenário de caos absoluto, e acreditamos que esse panorama seja ainda pior na realidade. Infelizmente, a transparência não foi o forte das últimas gestões. O clube é, frequentemente,“surpreendido” com penhoras decorrentes de dívidas que sequer eram contabilizadas. Hoje, não temos a exata noção sobre adiantamentos de receitas, embora saibamos da tomada de empréstimos tendo esses recebíveis como garantia. É uma situação complexa e que leva o clube a sua inviabilidade econômica.

A solução que iremos adotar se baseia em conjuntos de ações, que somente uma candidatura sem acordões políticos, como a nossa, poderá cumprir já que mexeremos em feudos de um complexo ambiente político.

Não há mistério. O Fluminense precisa romper com esse modelo falido e norteado pelos mesmos atores há mais de 2 décadas.

O primeiro conjunto se baseia em ações que chamamos de choque de gestão. Algumas delas são:

– O clube, em nossa gestão, terá unidades de negócios, centros de custos e todo sócio terá acesso através do site do clube. Aquelas unidades que se mostrarem deficitária serão suspensas, até que se demonstrem serem autossustentáveis.

– Iremos fazer uma varredura de contratos e reavaliaremos/ repactuaremos todos aqueles que comprovadamente apontem um desequilíbrio econômico-financeiro.

– Iremos conferir as aptidões, salários e cargos ocupados internamente dos nossos funcionários.

O segundo conjunto se baseia em ações que possibilitem um considerável aumento de suas receitas, essas ações são de curto, médio e longo prazo.

– A curto prazo podemos abrir alguns espaços em nossa área social do clube para empreendedores como quiosques da área de gastronomia e entretenimento.

– O Fluminense tem 3 unidades amplamente reconhecidas e divulgadas em jornais esportivos: estádio Manoel Schwartz, Centro de treinamento Pedro Antônio e Xerem. Esses 3 nomes não dão retorno nenhum financeiro ao clube, porque não atrair empresas para naming rights?

– Com credibilidade no nosso trabalho e na nossa governança iremos resgatar nossa marca e atrairemos investidores.Credibilidade se conquista com ações.

– Buscaremos operações financeiras que permitam trocar dívida velha por dívida nova, dívida cara por dívida mais barata e, preferencialmente, que concedam um prazo mínimo de carência para que tenhamos tempo de arrumar a casa.

– Outras fontes de aumento de receitas desenhadas por nossa equipe virão através da reforma do socio torcedor, reforma de Laranjeiras com cadeiras cativas, camarotes, através da inteligência geográfica e visualização de dados, da computação ubíqua.

Todas essas e outras ações estão no nosso plano de gestão.

O terceiro conjunto de ações será feito junto ao judiciário e aos credores. A dívida de curto prazo precisará ser alongada. Vamos fazer um trabalho sólido de renegociação com os credores, como o próprio clube buscou recentemente, e cujo fracasso se deu justamente pela incapacidade de honrar com o pactuado e pela falta de controle gerencial.

Todo o valor economizado e conquistado será direcionado ao pagamento de dívidas e ao futebol.

Na atual situação financeira do clube, não adianta tentar abraçar o mundo, como vemos outras candidaturas prometerem. É a mesma postura do passado, e sabemos que, no final, nada será feito de forma adequada. O clube não tem dinheiro para bancar atividades esportivas deficitárias, investimento em filial no exterior, construir estádio novo e tudo mais que prometem. Ao menos, não nesse momento.

Preferimos prometer somente aquilo que podemos cumprir. Honrar o financeiro e focar no futebol.

 

O Tricolor – A dívida de curto prazo asfixia o fluxo de caixa e, além de inibir investimentos, obriga o clube a vender atletas para pagar despesas como salários e impostos. Qual a sua proposta para livrar o Fluminense desse problema?

Marcelo Souto –  O primeiro ato da minha gestão será contratar uma empresa séria de auditoria, completamente independente e que jamais tenha atuado no clube. Faremos uma varredura nas contas dos 5 últimos anos, e um levantamento completo da real situação financeira do Fluminense e das dívidas. Me comprometo a disponibilizar esses relatórios a cada um dos sócios do clube, no portal do clube, e quero deixar bem claro que, ao fazer isso, estaria apenas cumprindo a legislação desportiva que obriga as entidades a disponibilizar informações completas aos seus sócios. Não temos NADA a esconder.

Vamos sentar com cada um dos credores, e buscar uma renegociação que nos permita reduzir valores ou alongar o prazo de pagamento.  Buscaremos operações financeiras que permitam trocar dívida velha por dívida nova, dívida cara por dívida mais barata e, preferencialmente, que concedam um prazo mínimo de carência para que tenhamos tempo de arrumar a casa.

Não estamos inventado a roda, são operações que foram realizadas, recentemente, em clubes brasileiros como o Flamengo e, atualmente, o Cruzeiro, e que deram o suporte necessário para que essas instituições pudessem superar as dificuldades iniciais da gestão. O próprio Fluminense teve, há pouquíssimo tempo, a oportunidade de realizar operações financeiras desse tipo, não tendo avançado por questões meramente políticas.

A preocupação maior, no marco zero, não é pagar a dívida, mas controlá-la e programá-la dentro da nossa realidade. Precisamos adequar essa dívida à realidade financeira do clube e ao seu fluxo de caixa. Estamos trabalhando com conceitos de Recuperação Judicial. A dívida do Fluminense não será paga em 3 anos. Não acreditamos em milagres, mecenas e almoço de graça. O importante é criar um fluxo que permita que a dívida seja, inicialmente, controlada, para, em um segundo momento torná-la estabilizada e, então, podermos trabalhar buscando sua redução real.

Concomitantemente, vamos executar um plano bastante radical de redução de despesas. Encerraremos TODAS as atividades que não forem capazes de gerar recursos compatíveis a seus gastos. Vamos enxugar o administrativo, rever 100% dos contratos assinados com terceirizados e pessoas jurídicas.

Confiamos que tais medidas permitirão uma melhora no fluxo de caixa. Todo o valor que conseguirmos segurar, será direcionado ao pagamento das despesas do futebol e da dívida do clube.

A questão da venda de atletas é complexa e, por dever de transparência, precisamos deixar claro que o clube pode, sim, precisar, eventualmente, se desfazer de atletas a fim de equilibrar suas contas, especialmente em um primeiro momento. Não é exclusividade do Fluminense. O que nos assusta é o nível de dependência que o clube apresenta dessa receita específica, o que nos coloca em situação de enorme desvantagem em negociações.

Nosso trabalho será justamente no sentido de reduzir essa dependência para que, em curto prazo, tenhamos maior autonomia e menor necessidade de recorrermos a tal prática.

 

O Tricolor – O faturamento do Fluminense está muito atrás dos atuais principais players econômicos. Qual sua proposta para aumentar as receitas do clube e torná-lo economicamente competitivo com clubes como Flamengo e Palmeiras?

Marcelo Souto –  O nosso foco, atualmente, está em desenvolver um trabalho de aumento de receitas como fazem clubes como Cruzeiro, Atlético-MG, Inter e Grêmio. São clubes que possuem um nicho de mercado próximo ao do Fluminense, mas estes possuem a dificuldade de serem clubes regionalizados, enquanto o Fluminense ainda é um clube nacional.

Focar no que realmente é seu objetivo: Futebol. Existem inúmeros casos de sucesso em que clubes de menor investimento vem conquistando espaços, de forma inteligente, estruturado, com cultura e modelo de jogo. Exemplo claro é a Liga dos Campeões da UEFA.

Quanto à capacidade de geração de receitas, entendemos que o grande ativo do Fluminense é a torcida. O clube precisa se aproximar mais de seu torcedor, de forma a gerar mais receitas viabilizando times mais fortes e títulos, que atrairão mais torcedores, criando-se um ciclo virtuoso.

Vamos investir pesado na reforma do programa de sócio torcedor. Queremos um maior nível de segmentação e ofertas. Adequar o produto ao máximo às necessidades de toda a gama de torcedores, criando planos que sejam praticamente personalizados. Não é difícil, basta criar ofertas de benefícios, estabelecer custos para cada uma das possibilidades, descontos pelo número maior de ofertas escolhidas e permitir ao torcedor que adapte os planos à sua realidade. Como se você tivesse montando um plano de telefonia móvel ou de serviço de TV à Cabo.

Trabalharemos, ainda, de forma diferenciada a obtenção de patrocínios. O modelo atual está muito focado na utilização do chamado “patrocínio de outdoor”. Os clubes vendem um espaço na sua camisa e se limitam a expor uma marca. É um modelo exaurido. Existem poucas empresas interessadas nessa parceria. Precisamos pensar além. O que podemos oferecer ao parceiro comercial? Que tipo de ações publicitárias poderíamos desenvolver? A oferta de patrocínio, no atual mercado do futebol, não pode ser limitada à compra de espaço na camisa, placas nos Estádios ou distribuição de ingressos. Isso é um modelo antiquado que representa o mínimo exigível e que a atual gestão sequer é capaz de cumprir.

Devemos entender como o Fluminense pode ser inserido em uma estratégia na qual possa agregar valor ao produto com o qual se relaciona, trabalhando ativamente com o conceito de “brand equity” dos patrocinadores, estando na cadeia de valor das marcas parceiras.

Mais do que isso, é exigível um cuidadoso entendimento da estratégia de marketing de cada uma das empresas que tenham o interesse em ser parceiras do clube e construir algo em função dessas estratégias. Não há mais espaço para exigências e imposição de interesses unilaterais. Devemos trabalhar com foco no “ganha-ganha”, e adequados às demandas do mercado.Vamos buscar modelos de patrocínio diferenciados, específicos, que possam se encaixar no plano de negócio das empresas e que possibilitem uma maior abertura de exploração comercial do próprio clube até mesmo para que o sucesso de um investimento seja um fator de atração para outros.

Vamos buscar uma maior oferta e controle de produtos no mercado, com melhor taxa de retorno. Pensamos em agregar valor aos produtos através da produção de conteúdo. Temos plataformas digitais de amplo alcance. Elas devem ser mais do que instrumentos de comunicação. Devem gerar engajamento e renda.

Aliás, esse é o grande ponto chave. Em nossa gestão TUDO deverá gerar receitas, sob pena de serem descontinuados.Os profissionais contratados deverão dar retorno financeiro e os investimentos terão de gerar receitas. O Fluminense não pode se dar ao luxo de suportar despesas em meios onde seja viável inverter o fluxo.

 

O Tricolor – A distribuição desigual de cotas de televisão vem ampliando, a cada ano, o desequilíbrio entre os clubes, o que, fatalmente, se nada for feito, levará o Fluminense à condição de mero coadjuvante no cenário nacional. Qual o seu plano para combater esse grave problema?

Marcelo Souto – Essa é uma discussão extremamente relevante cujo foco tem sido totalmente deturpado. Hoje, as cotas de TV se tornaram uma bengala para péssimas gestões e falta de capacidade de arrecadação de recursos.

O orçamento do clube da Gávea para o ano de 2019 prevê receitas líquida de quase 750 milhões de reais, sendo que, com direitos de transmissão, o clube prevê uma arrecadação bruta de R$ 260 milhões, o que equivale a 34% de seu orçamento. É considerável? Claro que sim. Mas mesmo se tirarmos esse valor da conta, o rival arrecadaria o dobro do Fluminense.

Por outro lado, olhando o orçamento do Grêmio, vemos que o clube trabalha em um cenário com receitas previstas de 320 milhões de reais, dos quais 133 milhões são oriundos de televisionamento. Ou seja, 42% das receitas do Grêmio são decorrentes das cotas de televisão. A dependência do Grêmio, portanto, é muito maior que a do Flamengo. As cotas são muito menores. Mas isso não impediu o clube de ser campeão da Copa Libertadores recentemente, de entrar sempre disputando títulos em todos os torneios que disputa.

Agora, vem o mais estarrecedor. O Fluminense prevê em seu orçamento uma arrecadação de 226 milhões, dos quais 113 milhões são oriundos de direitos de transmissão. Trocando em miúdos, 50% do que o Fluminense arrecada vem da Televisão. É um absurdo. E vemos que a diferença entre o que o Grêmio arrecada e o que o Fluminense consegue é mínima (cerca de 20 milhões), ao menos para justificar a discrepância dos resultados alcançados pelos clubes.

Desculpem, mas a verdade é uma só. O Fluminense é muito mais dependente da Cota de Televisão que o nosso rival.

Não significa que não se considere um absurdo a discrepância. É claro que é. O Flamengo nunca teve audiência tão maior que o Fluminense que justificasse tamanha diferença. E podemos fazer muita coisa para mudar isso.

Se eleito, vou liderar um movimento, procurando Vasco e Botafogo em um primeiro momento e, posteriormente, clubes como Atlético-Mg, Cruzeiro, Grêmio e Inter, para que possamos rediscutir essa situação. Sozinhos, nada conseguiremos nesse nível de negociação.Mas, em conjunto, a força desses clubes é enorme.

Seremos bem enfáticos quanto a isso. Até mesmo porque o Fluminense precisa voltar a ser a grande liderança das discussões de organização do futebol brasileiro, como sempre fomos.

Mas não podemos ficar sentados esperando a posição do clube A ou B. O Fluminense precisa pensar além das cotas de Televisão. Até mesmo porque esse é um modelo defasado. Qualquer pessoa minimamente antenada sabe que esse modelo de Cotas Televisivas está com os dias contados. As pessoas não assistem mais televisão. O crescimento dos serviços on demand é exponencial. A audiência despenca ano a ano. É fato notório. A televisão aberta levou os principais jogos para o Pay-Per-View. Hoje, o Palmeiras rejeitou um contrato com a Rede Globo e consegue se manter forte.

Precisamos aumentar nossas receitas com patrocínio, arrecadação com bilheteria, licenciamentos e premiações. Precisamos começar a discutir com seriedade modelos que nos permitam dispor de forma mais adequada de conteúdo próprio. Não basta fazer um vídeo de 5 minutos mostrando bastidores dos jogos. O torcedor quer mais e está disposto a pagar por isso. Vide o sucesso de plataformas digitais. 

Se conseguirmos isso, nos tornaremos menos dependentes das Cotas de Televisão e o impacto será menor. Sem vitimismo, sem esperar que terceiros resolvam os problemas pelo Fluminense.

Sei que é uma posição polêmica, mas eu minimizo um pouco o efeito das cotas no momento do Fluminense. Não é isso que nos torna coadjuvantes. São as péssimas gestões sucessivas. Nenhum clube aguenta 6 anos de Horcades, 6 anos de Peter e mais 3 anos de Abad incólume.

 

O Tricolor – Revitalização do estádio das Laranjeiras, controle do Maracanã e projeto de construção de um novo estádio. São alternativas que estão sobre a mesa. Qual o seu plano com relação a arena(s), levando em conta os aspectos econômicos, financeiros e esportivos decorrentes de sua decisão como presidente?

Marcelo Souto –  O nosso grupo sempre teve uma posição muito firme em defesa do Estádio das Laranjeiras. Aquela é a nossa casa, é onde o futebol brasileiro nasceu. É o que está em nosso alcance, onde temos 70% de aproveitamento. Se o torcedor do Fluminense me der a oportunidade de ser presidente do Fluminense, não mediremos esforços para preparar Laranjeiras para partidas do futebol profissional.

Conhecemos o projeto que já existe para sua reforma, é absolutamente adequado para as suas necessidades, sem a exigência de investimentos do clube (ou com investimentos mínimos), o que é essencial, considerando a situação financeira.

Além disso, enxergamos em Laranjeiras um potencial econômico indiscutível. Uma “Casa de Shows” no coração da Zona Sul do Rio de Janeiro. O estádio onde nasceu o futebol brasileiro. Um local para eventos esportivos de médio porte.

Laranjeiras é o nosso plano A, B, C e Z. Pessoalmente, é um sonho, um objetivo. Reativar o nosso estádio é uma espécie de obsessão para mim e para o meu grupo.

Quanto ao Maracanã, precisamos entender melhor como funciona a relação Flamengo/Fluminense/Governo. Hoje, tudo é muito obscuro. Nossa ideia sempre foi ter Laranjeiras para jogos de pequeno porte, como são todos do campeonato carioca (exceto os clássicos) e alguns do brasileiro e de fases iniciais da Copa do Brasil. E utilizar o Maracanã como palco para os grandes jogos.

Quanto ao projeto de construção de um estádio próprio, não é uma alternativa que consideramos. É claro que se aparecer um investidor querendo levantar um estádio para o Fluminense, a custo zero, com localização adequada, vamos sentar e tentar viabilizar. Mas não existe almoço grátis. Não acreditamos que acontecerá.

O Fluminense não tem condições econômicas de dar esse passo, com recursos próprios. Não vamos desviar nosso caminho. Nosso foco é pagar dívidas e montar um time capaz de disputar competições em condição de brigar pelas melhores posições.

O torcedor do Fluminense verá, ao logo da campanha, candidatos prometendo estádios, anunciando que já possuem terreno, com cartas de investidores. Isso acontece todos os anos. É preciso explicar como abraçar o mundo com a asfixia financeira que vivemos.

 

O Tricolor – Fala-se muito em profissionalização da gestão do clube há anos, mas pouco se tem avançado nisso nas últimas gestões, inclusive com alguns retrocessos. Qual a sua visão? O que vai ser feito no seu mandato para o Fluminense ter uma gestão totalmente profissional?

Marcelo Souto –  As últimas gestões deturparam completamente o conceito de profissionalismo. É preciso que se entenda, inicialmente, que profissionalismo vai muito além de contratar pessoas com salários altíssimos e dar nomes as funções. É preciso que exista comprometimento, respeito e competências das funções.

Não adianta você ter o melhor profissional do mundo, se os Vice-presidentes políticos não respeitarem essa competência. Não adianta ter um CEO, se o VP de Esportes Olímpicos entende que deve se reportar somente ao presidente, ou se o diretor de futebol se recusa a ter a presença do CEO ao seu lado. Não adianta ter um profissional cuidando do Social, se o Vice-Presidente da Pasta age como se fosse um síndico de prédio e enxerga o profissional como um funcionário particular. São coisas que vimos na prática no Fluminense. 

É algo que vai mudar. Em nossa gestão, os VPs políticos formarão um conselho de administração e serão responsáveis por traçar estratégias específicas. A execução será obrigação dos profissionais que serão contratados.

Aliás, esses profissionais não serão mais escolhidos por indicação. Faremos processos seletivos. Queremos avaliar propostas e visões, e escolher aquela que estiver a mais adequada ao clube. O Fluminense será tratado como uma empresa que tem 200 milhões de receita/ano. E os salários dos profissionais estará limitado aos valores de mercado para empresas desse porte. 

Todos os profissionais terão metas. Não existe profissionalismo sem metas. Que tipo de estrutura profissional pode funcionar sem que sejam estabelecidos objetivos? Em qualquer local sério, profissionais como o Marcelo Teixeira teriam sido demitidos no primeiro ciclo, por falta de resultados. Com todo o respeito ao ex-atleta Emanuel, mas o que fez o gestor? Em que, efetivamente, o profissional responsável pelo social contribuiu com o clube? O Marketing deu resultado financeiro? O Fluminense será tratado como qualquer empresa. Se você não der resultado na sua empresa, você será desligado. Aqui não será diferente.

Vamos além. Iremos promover uma mudança estatutária ampla, com o objetivo de fixar uma nova organização estrutural, um novo modelo de governança, que tire poder dos velhos grupos políticos, e que jogue a tomada de decisão nas mãos dos torcedores. Aliás, queremos extinguir, ou, ao menos, reduzir essa estrutura política fundamentada em grupos que somente buscam garantir comando sobre seus feudos.

Esse é um cenário que nos preocupa. Analisando as demais candidaturas, enxergamos pessoas que participaram ativamente das gestões anteriores e que, não apenas não buscaram uma estrutura profissional, mas sempre mostraram, com sua mentalidade personalista, um profundo apego ao amadorismo. Não há nada que indique que será diferente agora.

 

O Tricolor – Como serão tratados os esportes olímpicos e o clube social em sua gestão?

Marcelo Souto – Já falamos bastante sobre isso em nossa campanha. Nós extinguiremos toda e qualquer atividade que não gere receitas. Esse é o ponto central de nossa candidatura. É como vamos conseguir os recursos necessários para pagar dívidas e manter uma estrutura competitiva no futebol.

Isso significa que vamos, necessariamente, extinguir todas as atividades sociais e olímpicas? Se forem deficitárias, sim!

Olhando para o social, ele possui receita própria, oriunda de atividades esportivas como escolinhas, estacionamento, bares e da própria mensalidade paga pelos sócios contribuintes e proprietários. Nossa principal mudança, nesse sentido, será limitar os gastos do social à arrecadação do clube. Essa arrecadação terá de pagar 100% dos custos administrativos do clube, e sobrar uma determinada % do valor arrecadado para pagamento das dívidas.

Se a arrecadação não permitir reforma da sauna, da churrasqueira ou da piscina, paciência. Os sócios, se quiserem, que paguem cota extra para ter esses serviços. Não sairá um único centavo do futebol para essa finalidade.

Futuramente, temos a ideia de buscar parcerias para administrar especificamente a parte social, em um formato onde essa administração seria terceirizada, mas com garantia de investimento mínimo, objetivos delineados, e garantia de retorno ao próprio clube. A contrapartida seriam as mensalidades. São alternativas que vamos discutir com o quadro social.

Vemos clubes sociais obtendo enorme sucesso, abrindo suas portas para a promoção de eventos como shows, feiras, eventos de e-sports e afins. Queremos ir por esse lado e ajudar a melhorar a arrecadação do social, e pagar dívidas.

Quanto aos Esportes Olímpicos, sabemos da importância histórica do Fluminense na história esportiva do Brasil, de uma forma geral. Mas também sabemos que a situação financeira do clube é falimentar. Apenas não falimos porque a legislação não permite. Não dá para ter atividades olímpicas sustentadas pelo clube.

Não queremos acabar com os Esportes Olímpicos, simplesmente por acabar. Apenas não iremos mais suportar essas atividades com recursos do clube. Se determinada atividade tiver aporte financeiro externo, seja patrocínio direto, lei de incentivo, repasse ou o que seja, será mantido e limitado ao valor arrecadado. Caso não tenhamos recursos, a atividade será extinta e retomada tão logo tivermos recursos diretos para tal.

Não importa o quão tradicional o clube seja no esporte A ou B. Ou se paga, ou será descontinuado. É duro? Sim. É Radical? Um pouco.Mas é a única forma que enxergamos de colocar o clube nos trilhos com relação a sua parte financeira e com o que realmente importa que é o futebol.

Algumas candidaturas prometem manter investimentos nesses setores, com o objetivo de angariar apoio de grupos políticos tradicionais, que rendem muitos votos, mas que cobram um preço muito alto por eles. Não temos essa preocupação.

Essa é a nossa proposta. É o que faremos.

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O Tricolor – Falou-se muito em integração conceitual do futebol tricolor na última eleição, adotando-se a mesma metodologia de trabalho e modelo de jogo para a base e o profissional. Parece que isso não vingou. Acontecerá no seu mandato ou sua candidatura tem uma visão diferente?

Marcelo Souto – Preciso fazer um pequeno preâmbulo para justificar a resposta.

Entendemos que a cultura, modelo e metodologia de jogo/treinos e a análise de desempenho são partes integrantes de um departamento de futebol de um clube estruturado. Estas partes são trabalhadas e consolidadas há muitos anos no futebol europeu e que gradativamente vem chegando no futebol brasileiro.

Iremos criar o CIA do Flu – Centro de Inteligência e Aperfeiçoamento do departamento de futebol do Fluminense -, que terá algumas funções que conhecerão mais detalhadamente no nosso plano de gestão, mas que destaco quatro delas:

– Controlar e acompanhar as nossas equipes e adversários (base e profissional);

– Analisar e acompanhar o mercado para suprir carências do elenco em momentos de reposição/ reforço;

– Potencializar o próprio modelo de jogo unificando base e profissional;

– Implementar conteúdos desenvolvidos pelo departamento DNA Tricolor;

O DNA Tricolor será um departamento que terá entre suas funções estabelecer plano e modo de jogo em todo o clube de acordo com a cultura do nosso clube.

Preambulo feito, digo que buscaremos adotar a mesma metodologia de trabalho e modelo de jogo para a base e o profissional, consta e está detalhado essa premissa em nosso plano de gestão.

 

O Tricolor – Qual a sua visão de Fluminense ao final de seu mandato? Numa visão realista, como você pretende entregar o clube ao seu sucessor?

Marcelo Souto –  Precisamos ser realistas. A situação financeira do Fluminense é grave demais para ser resolvida no curto/médio prazo. Gostaria de poder prometer que em três anos esse clube seria campeão da Libertadores, a dívida estaria 100% equacionada, terminaríamos o Centro de Treinamento e construiríamos um estádio. Isso tudo com grandes times em todos os esportes vôlei, basquete, natação… É o que alguns candidatos prometem. Mas não estamos aqui para enganar ninguém.

No futebol, trabalharemos duro para que ano a ano formemos times mais competitivos, capazes de disputar vaga na Copa Libertadores, brigando por títulos como a Copa Sul-americana e/ou Copa do Brasil. Espero deixar para o meu sucessor o Fluminense com um departamento estruturado e com o time classificado na Copa Libertadores.

Na área financeira, espero deixar o clube com a dívida controlada/ programada / honrada. E que fique claro ao torcedor e sócio, desejamos colocar a dívida dentro do fluxo de caixa direto do clube, evitando penhoras e, principalmente, a contração de novas dívidas, senão aquelas realizadas diretamente com o objetivo de pagar a dívida de curto prazo.

Almejo dentro desses 3 (três) anos colocar o Estádio das Laranjeiras finalmente dando retorno financeiro, tornando-o apto a receber jogos de pequeno e médio porte, além de receber eventos/shows e com uma loja e inúmeros produtos dignos do nosso torcedor.

Espero entregar o Clube ao torcedor do Fluminense, devolver o Verdadeiro Fluminense aos seus donos, você torcedor. O Fluminense é seu, o Fluminense é um clube Nacional e não apenas mais um clube da zona sul carioca.

Por fim, desejamos que esta seja a última eleição com voto em urnas fixas nas Laranjeiras. Queremos deixar o Voto Online apto para a próxima eleição.

Se atingirmos essas premissas vou considerar que minha gestão foi bem-sucedida.

Esse é o nosso objetivo, com propostas firmes e objetivas. Se pudermos ir além em alguns pontos melhor. Mas não vou prometer isso.

Em nossa visão, qualquer candidato que prometer ir além disso, ou não tem a mínima ideia da complexidade da situação, ou apenas está jogando com propostas eleitoreiras e fazendo estelionato eleitoral, tentando angariar votos para justificar o fracasso posterior com o velho discurso da herança maldita.

 

O Tricolor – Vender o Pedro ou tentar abocanhar as premiações com títulos e boas colocações nas três competições que restam ao Fluminense? Com ou sem Diniz?

Marcelo Souto –  Sinceramente, sequer temos convicção se, ao assumir o clube, manter o Pedro ainda será uma opção. A nossa ideia inicial é, claro, manter o jogador pelo máximo de tempo que for possível. Mas isso não significa que ele não será vendido.

O Pedro é um jovem talentoso, com potencial de vestir a camisa da seleção brasileira e tem mercado em grandes times europeus. É difícil competir financeiramente com isso.O que posso me comprometer é, apenas, não acelerar a sua venda. Tentar segurá-lo ao máximo, motivá-lo a continuar conosco. Vender o atleta antes de performar na equipe profissional, somente se ofertarem o valor da multa ou próximo dela com compensação futura, esta é nossa premissa para todos os jovens de Xerém.

Quanto ao Fernando Diniz, o meu desejo é não só mantê-lo no clube como treinador do time profissional como também que o treinador nos ajude na base, orientando os profissionais das divisões de base a adotarem seu modelo de jogo. Sou adepto da filosofia que técnicos precisam de tempo para desenvolver um bom trabalho, e como dito antes de termos um modelo de jogo padronizado base-profissional. O Diniz é um profissional correto, que vem tentando estabelecer um padrão de jogo diferenciado, agradável de se ver e que nos permite com menos investimentos disputar de igual pra igual com adversários de maior poder aquisitivo.

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Marcelo Savioli às 09:46
2019-05-23T17:08:44+00:00 maio 23rd, 2019|

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